Hino e Bandeira

Significado dos símbolos e cores:
As 5 quinas simbolizam os 5 reis mouros que D. Afonso Henriques venceu na batalha de Ourique.

Os pontos dentro das quinas representam as 5 chagas de Cristo. Diz-se que na batalha de Ourique, Jesus Cristo crucificado apareceu a D. Afonso Henriques, e disse: "Com este sinal, vencerás!". Contando as chagas e duplicando as chagas da quina do meio, perfaz-se a soma de 30, representando os 30 dinheiros que Judas recebeu por ter traído Cristo.

Os 7 castelos simbolizam as localidades fortificadas que D. Afonso Henriques conquistou aos Mouros.

A esfera armilar simboliza o mundo que os navegadores portugueses descobriram nos séculos XV e XVI e os povos com quem trocaram idéias e comércio.

O verde simboliza a esperança.

O vermelho simboliza a coragem e o sangue dos Portugueses mortos em combate.

Autores da Bandeira Republicana: Columbano, João Chagas, Abel Botelho

Hino Nacional
Um hino é um canto de louvor. Na Antiguidade cantavam-se hinos aos deuses.
Na Europa multiplicaram-se e aperfeiçoaram-se os hinos religiosos desde a Idade Média.
A idéia de adotar uma música como símbolo de um país só surgiu no século XIX. Anteriormente era costume escolher para as cerimônias oficiais um tema composto em honra do rei.
No tempo de D. João VI, por exemplo, tocava-se o "Hymno Patriótico", de António Marcos Portugal.
Em 1834, depois da guerra civil e do triunfo dos liberais, o rei D. Pedro IV aprovou uma lei que declarava uma obra sua - o "Hymno da Carta" - como hino nacional. Manteve-se em vigor até à queda da monarquia.
Quando se implantou a República mudaram os símbolos do País. O projeto da nova bandeira desencadeou grandes discussões e apareceram dezenas de propostas. Quanto ao hino, não houve dúvidas. Toda a gente aprovou a escolha de "A Portuguesa", que já existia e era cantada com fervor em homenagem ao povo português e à História de Portugal.

O nosso Hino tem uma história peculiar
Em 1890, no tempo do rei D. Carlos, os países europeus fizeram uma partilha do continente africano. Portugal pretendia obter todos os territórios entre Angola e Moçambique. A França e a Alemanha aprovaram a idéia, mas a Inglaterra opôs-se porque queria dominar o interior de África desde o Cairo (Egito) ao Cabo (África do Sul). Para obrigar Portugal a desistir, lançou um Ultimato: ou o governo português mandava retirar imediatamente os exércitos que tinha naquela zona ou declarava guerra a Portugal.
Na altura não havia possibilidade de enfrentar um país tão rico e poderoso, a única hipótese era ceder. Foi isso que o rei e os ministros fizeram. O povo, porém, não aceitou, nem compreendeu e sentiu-se humilhado. Com que direito é que a Inglaterra fazia tais exigências, se os portugueses é que tinham sido os primeiros a navegar e a desembarcar naquelas paragens tão longínquas?
Houve muitas manifestações de rua e muitos artigos nos jornais contra o Ultimato, contra os ingleses, contra o governo e contra o rei. Houve quem pusesse uma bandeira nacional a meia-haste em sinal de luto.
O compositor Alfredo Keil, indignado também, atirou-se ao piano e compôs uma espécie de marcha militar onde vibrava toda a sua raiva. Depois dirigiu-se a casa do poeta Henrique Lopes de Mendonça, que morava num quarto andar, subiu as escadas esbaforido e pediu-lhe uma letra que encaixasse naqueles acordes e desse voz à revolta que se gritava nas ruas.
Trabalharam juntos alguns dias e logo que o poema ficou concluído deram-lhe o nome de "A Portuguesa".
A primeira edição da música e texto, foi paga pelos próprios autores. Teve uma tiragem de 12 000 exemplares que esgotou imediatamente! A partir de então nas ruas, nos cafés, nos clubes, nos teatros cantava-se a toda a hora "Heróis do mar, nobre povo..." E era a música de toda a gente. Os revolucionários republicanos tinham-lhe um apreço especial porque, além do poema lembrar a História de Portugal sem nunca falar no rei, incitava ao combate.
No dia 31 de Janeiro quando saiu à rua a primeira tentativa de revolução republicana no Porto, os revoltosos berraram "A Portuguesa", a plenos pulmões. Depois da revolta abafada, a música foi proibida. Mas continuou a ser cantada às escondidas.
Alfredo Keil passou o Verão de 1890 em Vales, perto de Frazoeira. Durante essas férias fez uma adaptação da música para que pudesse ser tocada por uma banda.
A Banda Sociedade Filarmónica Carrilense de Ferreira do Zêzere foi a primeira a executar em público o tema: "A Portuguesa". Nessa altura ninguém sonhava que viria a ser adotado como Hino Nacional.


"A Portuguesa"
Hino Nacional

I
Heróis do mar, nobre Povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar.
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar.
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar.
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

O Hino Nacional tem três estrofes, mas geralmente só se canta a primeira.

Letra de Henrique Lopes de Mendonça.
Música de Alfredo Keil.


OUÇA O HINO